No Limiar da Morte

Engeladas as faces, os cabelos
Brancos, feridos, chegas da jornada
Revés da infância os dias; e ao revê-los,
Que fundas máguas n’alma lacerada!

Paras, Palpas a treva em tôrno, Os gêlos
Da velhice te cercam. Vês a estrada
Negra, cheia de sombras, povoada
De astros, espectros e de pesadelos...

Tu me amaste e sofreste, agora os passos
Para meu lado moves. Alma em prantos,
Deixas os ódios do mundano inferno...

Vem! Que enfim gozarás entre meus braços
Tôda a volúpia, todos os encantos,
Tôda a delícia de repouso eterno!

Olavo Bilac

           
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