Uma Profecia e um Soneto

O soneto que se segue e estas notas foi escrito a proposito da descoberta da "Pedreira", ou monumento prehistorico de Reginópolis, em cujo cimo viu-se farfalhando por muitos dias, em 93, a bandeira da nossa terra.

Vindo de Lenções, a cêrca de sessenta anos, áquelas paragens se acolhêra o padre Geremias, que, por sofrer do mal de Ansen, deliberara, do motuo proprio, fugir ao convivio dos civilizados indo exilar-se no sertão em companhia de alguns escravos. De posse daquele naco de sertania devoluta, teve êle o prazer de constatar que em suas terras havia uma coisa extraordinária, consoante a restos de uma antiga civilização. Examinado-a, cuidadoso, supôs o bom do padre tratar-se evidentemente de obra da mão do homem, feita em épocas remotas. Assim pensando, proferiu, então, esta profecia

(ouvida e repetida por pessoas que o acompanhavam, das quaes duas ainda vivem): -"Sei que aqui está enterrada alguma coisa muito importante. Sei porque "as pedras falam", e eu estou ouvindo-as falar. Um dia Deus mandará um homem vir remexer este monte de pedras; então há de se saber o que vem a ser isto".

O Clamor das pedras

Se dado te fôra, ho! Geremias!,
Da tumba em que descanças desta vida
Volver ao cenário, tu verias
A tua predição hoje cumprida.

Golpeada a colina, tudo se revela!
Bipartida a montanha, aberta a penha,
A mão de Deus e a do homem, em toda ela,
Fantasticamente se desenha!

Embora com seu saber profundo
Proclame a voz da ciência pelo mundo
Ser obra da natureza a coisa inteira.

Do tôpo da colina, tremulando,
O Pendão Auriverde está bradando:
- Sou de pedra mas não sou "Pedreira".

Dr. Horacio Nogueira

           
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