Uma Profecia e um Soneto
Vindo de Lenções, a cêrca de sessenta anos, áquelas paragens se acolhêra o padre Geremias, que, por sofrer do mal de Ansen, deliberara, do motuo proprio, fugir ao convivio dos civilizados indo exilar-se no sertão em companhia de alguns escravos. De posse daquele naco de sertania devoluta, teve êle o prazer de constatar que em suas terras havia uma coisa extraordinária, consoante a restos de uma antiga civilização. Examinado-a, cuidadoso, supôs o bom do padre tratar-se evidentemente de obra da mão do homem, feita em épocas remotas. Assim pensando, proferiu, então, esta profecia (ouvida e repetida por pessoas que o acompanhavam, das quaes duas ainda vivem): -"Sei que aqui está enterrada alguma coisa muito importante. Sei porque "as pedras falam", e eu estou ouvindo-as falar. Um dia Deus mandará um homem vir remexer este monte de pedras; então há de se saber o que vem a ser isto". O Clamor das pedras Se dado te fôra, ho!
Geremias!, Golpeada a colina, tudo
se revela! Embora com seu saber
profundo Do tôpo da colina,
tremulando, Dr. Horacio Nogueira |