Século XX

Repentinamente, longínquo, o apito duma fábrica, sei eu de que, se fêz ouvir. Um rojão esporou ao longe. Frenèticamente, outras e outras fábricas fizeram côro à primeira.

Foi-se para o negrume do passado o Século XIX, o da LUZ.

Refulgiu, após, o ATÔMICO...

Os rios continuaram a correr para as regiões mais baixas, como sempre foi. O vento, porém, cada dia foi encontrando mais e mais fios para cantar o seu salmo eterno. Os arranha-céus heréticos se foram aproximando cada vez mais da casa de Deus. As favelas escorraçadas dos morros foram descendo, cada vez mais próximas das funduras do Inferno. E a pouco os navios foram espantando as sereias derradeiras e acabaram por arrostar sem mêdo as fúrias de Netuno. Os sacís fugiram das casas que, aguilhoadas pelo progresso, foram grimpando os morros e devorando as matas.

A terra continua a girar doidamente. Doida-Mente...

A mente... Aperfeiçoou ela miríades de máquinas, sem fim de inventos. Lucubrou, à sombra do poder e instigada pela riqueza, milhões de assassinatos premeditados e disfarçados em guerras. Culminou com a desintegração atômica e a pretenção da ida à lua.

Recordo-me em tempo, que a estreptomicina, a penicilina (e outras "inas" mais antigas), o krabiozen, etc., junto ao rádio (1899), formam (sem que se esqueça da vacinas) um pequeno número de benefícios que o homem trouxe para alívio de seus sofreres.

Em contraste, porém, (como se já não fosse enunciados os anteriores progressos com o fito de compensar as desgraças supra citadas), espalhou-se mais e mais a idéia duma pseudo-igualdade, com a máscara do comunismo, o formalismo religioso, o desinterêsse pela vida, e a volatilização do senso de respeito à moral, à dignidade e ao direito, por um realismo de resultados completamente opostas às belezas da sua teórica estrutura. – Deus vai ficando esquecido, menosprezado.

Continua-se nêste, como em todos os séculos que remontam ao infinito, a ser-se hipócrita, egoista, descurado das grandezas que Deus dá.

Chora-se por moedas e não se olha o crepúsculo, jamais. Canta no espaço, como em ladainha, o hino: "Eu te entristeci, mas perdão te peço..." _ E sempre pede, e sempre entristece.

Não fôra a nossa mente e não haveria séculos.

Nossas mentes criam, ordenam, e tornam más as coisas sem vontade. Canalizam as fôrças naturais, neutras por si só, para, quantas vêzes, a destruição do semelhante.

Somos, enfim, esmóleres incasáveis e irreconhecidos. Perdão!... Perdão!...

E vamos construir a bomba de Hidrogênio... Mata muito mais... O dinheiro que custará, serviria para matar a fome da humanidade. Mas preferem matas a própria humanidade!

Mas, de quem é a terra? Que direitos temos, miseráveis e fugazes inquilinos, para destruí-la?

Mas, vejamos como irão os anos restantes dêste (nem sei que diga) século XX, O ATÔMICO.

Sérgio Freddi
4º Série Ginasial

           
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